{"id":2642,"date":"2018-09-06T18:08:23","date_gmt":"2018-09-06T18:08:23","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/?p=2642"},"modified":"2018-09-06T18:08:23","modified_gmt":"2018-09-06T18:08:23","slug":"aberto-para-balanco-2010","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archive.raulmourao.com\/portfolio\/aberto-para-balanco-2010\/","title":{"rendered":"Aberto para balan\u00e7o &#8211; 2010"},"content":{"rendered":"<h4>por Frederico Coelho para a exposi\u00e7\u00e3o Movimento Repouso<\/h4>\n<p>Desde 2010 Raul Mour\u00e3o vem trabalhando com esculturas cin\u00e9ticas. Sua pesquisa sobre materiais e movimentos trouxe uma nova rota est\u00e9tica para sua obra. Em uma trajet\u00f3ria marcada pelo ecletismo de meios e frentes de a\u00e7\u00e3o, Raul mergulhou nesse universo e se concentrou por um per\u00edodo em seus balan\u00e7os. Suas \u00faltimas exposi\u00e7\u00f5es exploraram as m\u00faltiplas possibilidades nessa rela\u00e7\u00e3o entre a mat\u00e9ria bruta do a\u00e7o e sua leveza atrav\u00e9s de sutis movimentos pendulares. Se antes sua obra podia as vezes encarcerar o olhar entre grades, a partir dos balan\u00e7os ela passou a chamar o espectador para dan\u00e7ar.<\/p>\n<p>Sua nova safra de balan\u00e7os, feita especialmente para esta exposi\u00e7\u00e3o, nos mostra como os temas e as formas dessas esculturas permanecem se ampliando em uma esp\u00e9cie de an\u00e1lise combinat\u00f3ria infinita. A engenharia do equil\u00edbrio se torna cada vez mais difusa e l\u00fadica. As formas ficam livres para quebrar uma apar\u00eancia de conten\u00e7\u00e3o em prol de uma salutar dispers\u00e3o de ideias. Isso ocorre porque, apesar da rigidez do a\u00e7o cortem, elas surgem de desenhos feitos por Raul. Na origem dessas esculturas racionais e met\u00e1licas, h\u00e1 o tra\u00e7o livre e on\u00edrico da m\u00e3o do desenhista. De certa forma, podemos enxergar nesses atuais balan\u00e7os, di\u00e1logos internos com trabalhos anteriores dele, como as primeiras esculturas na exposi\u00e7\u00e3o \u201cHumano\u201d (1993) ou os trabalhos de \u201cCaderno de anota\u00e7\u00f5es\u201d(2003). Em todos, vemos o tra\u00e7o do desenhista criando formas geom\u00e9tricas e, ao mesmo tempo, org\u00e2nicas, para depois ajust\u00e1-las \u00e0 demanda de materiais n\u00e3o-male\u00e1veis, como o metal.  <\/p>\n<p>Em MOVIMENTO REPOUSO, portanto, Raul permanece expandindo as possibilidades de sua pesquisa, por\u00e9m com um novo elemento em jogo: a transitoriedade. Raul vive atualmente em Manhattan, Estados Unidos. O dia a dia em seu ateli\u00ea no bairro carioca da Lapa \u00e9 substitu\u00eddo pelo ritmo fren\u00e9tico da \u201cbabil\u00f4nia\u201d norte-americana. Artista sempre atento e guiado pelas ruas, Raul rapidamente transformou as esquinas de Manhattan em suas. Com seu celular, capturou atrav\u00e9s de fotos os pontos cegos, os desvios do olhar, as aproxima\u00e7\u00f5es das formas universais, transformando objetos e cenas do cotidiano urbano em pequenos microcosmos universais. S\u00e3o micronarrativas das falhas, das luzes, das cores, dos objetos. Suas fotos, ao lado dos atuais balan\u00e7os, nos mostram que Raul volta a investir nos multimeios de exibi\u00e7\u00e3o da obra, procurando novamente uma esp\u00e9cie de maior amplitude. <\/p>\n<p>O artista que vive entre pa\u00edses, entre cidades, entre l\u00ednguas, passa a por em xeque um espa\u00e7o confort\u00e1vel de a\u00e7\u00e3o e precisa se adaptar ao componente h\u00edbrido que se instala nas suas obras e no seu olhar para o mundo. Uma esp\u00e9cie de esfacelamento das certezas impele Raul a reinventar refer\u00eancias e n\u00e3o separar sua vida cotidiana nas ruas (fotos) com seu trabalho reflexivo sobre a linguagem (os balan\u00e7os). Neste momento, a duplicidade (de cidades, de meios) e a perspectiva fora de lugar das imagens fotogr\u00e1ficas s\u00e3o ind\u00edcios de um momento em que pesquisa e reflex\u00e3o, a\u00e7\u00e3o e contempla\u00e7\u00e3o, se ajustam no espa\u00e7o expositivo e dialogam de formas m\u00faltiplas com o p\u00fablico e entre si.   <\/p>\n<p>Em conversas antes de sua viagem para viver em Manhattan, Raul Mour\u00e3o citava um nome para um projeto de trabalho durante a estadia inicial na cidade. O nome: Landing Project. Um projeto feito por quem est\u00e1 pousando em uma nova realidade. Talvez por uma rela\u00e7\u00e3o impercept\u00edvel, a escolha do verbo repousar como t\u00edtulo desta exposi\u00e7\u00e3o alude diretamente ao projeto tra\u00e7ado ainda no Brasil. Pousar\/repousar ideias, corpos, obras, vidas. Creio, por\u00e9m, que aqui, o seu MOVIMENTO REPOUSO seja muito mais do que isso. Nesses dias de renova\u00e7\u00e3o \u00e0 f\u00f3rceps da realidade politica e social do pa\u00eds, evocar um Movimento que nos pe\u00e7a o repouso \u00e9 um convite irrecus\u00e1vel. N\u00e3o de esvaziamento, mas de renova\u00e7\u00e3o. Repousar os olhos sobre as obras, repousar as m\u00e3os sobre os balan\u00e7os, repousar os dias sobre a arte, para, quem sabe, renovarmos as energias. Afinal, todo o menor movimento \u2013 seja do a\u00e7o, seja dos homens \u2013 ser\u00e1 sempre uma revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Frederico Coelho para a exposi\u00e7\u00e3o Movimento Repouso Desde 2010 Raul Mour\u00e3o vem trabalhando com esculturas cin\u00e9ticas. Sua pesquisa sobre materiais e movimentos trouxe uma nova rota est\u00e9tica para sua obra. 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