{"id":2617,"date":"2018-09-06T17:39:51","date_gmt":"2018-09-06T17:39:51","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/?p=2617"},"modified":"2018-09-06T17:43:53","modified_gmt":"2018-09-06T17:43:53","slug":"um-elefante-incomoda-muita-gente-2005-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archive.raulmourao.com\/portfolio\/um-elefante-incomoda-muita-gente-2005-2\/","title":{"rendered":"Um elefante incomoda muita gente&#8230; &#8211; 2005"},"content":{"rendered":"<h4>por Paulo Reis<br \/>\nRio de Janeiro, outubro de 2005<\/h4>\n<p>Brasil \u00e9 um pa\u00eds onde o Surrealismo n\u00e3o fez escola. O Brasil \u00e9 um pa\u00eds por demais surrealista, onde o real sempre suplantou a fantasia, para que o sonho e o automatismo pudessem ditar normas. A \u00f3pera bufa foi montada desde a chegada dos portugueses: um teatro religioso para um povo alheio aquela encena\u00e7\u00e3o. S\u00e3o quinhentos anos na busca de encontrar o outro, alteridade desgovernada, diria. Hoje a realidade deixa de ser surreal para ser supra-real. Os fatos poderiam ter sa\u00eddo de uma com\u00e9dia de erros de Jo\u00e3o Caetano, ma est\u00e1 mais para uma com\u00e9dia popular de Jo\u00e3o Bettencourt intitulada \u201cD\u00f3lar, cuecas, carecas, mensal\u00f5es e afins\u201d, pois nunca chegaria a uma fina ironia wildeana da import\u00e2ncia de ser honesto.<br \/>\n\u00c9 desta vis\u00e3o nada plaus\u00edvel que o artista Raul Mour\u00e3o elabora uma cr\u00edtica contundente, ris\u00edvel at\u00e9, mas n\u00e3o menos \u00e1cida sobre algo triste e tr\u00e1gico&#8230; Enfim, o artista vive a realidade que \u00e9 comum a todos e como tem a capacidade da transubstancia\u00e7\u00e3o, oferece-nos arte. Na mostra <strong>Luladepel\u00facia,<\/strong> na galeria Lurixs, o artista exp\u00f5e uma instala\u00e7\u00e3o com bonecos de pel\u00facia, desenhos em grafite sobre papel e trabalhos a 4 m\u00e3os, todas as obras tomam a figura do Presidente Lula como ponto de partida. N\u00e3o se trata de nenhuma homenagem, mas sim de um desagravo.<\/p>\n<p>Da mesma maneira que Raul utiliza-se de objetos do cotidiano que nos ferem a vis\u00e3o e nos agridem \u2013 como as grades que poluem os espa\u00e7os urbanos &#8211; o artista se apropria de uma imagem que nos invade a retina, toma conta de nossa vida. Ante a resigna\u00e7\u00e3o, o humor inteligente usado como arma. A s\u00e9rie, segundo o artista, surgiu ainda em janeiro de 2003, mas de l\u00e1 pra c\u00e1 muita coisa mudou. Dou voz a Mour\u00e3o: \u201cO que era apenas um trabalho de arte cheio de ironia e bom humor se transformou num brinquedo assassino. Parece que o PT assumiu o governo para destruir o pa\u00eds. Lula \u00e9 um personagem desorientado. A realidade mais uma vez superou a fic\u00e7\u00e3o. As piadas j\u00e1 chegam prontas: dinheiro na cueca, instintos primitivos, um tesoureiro chamado Jacinto Lamas, um publicit\u00e1rio-Kojak e um bispo-deputado carregando malas de dinheiro. O governo \u00e9 um prato cheio para os humoristas, seria c\u00f4mico se n\u00e3o fosse tr\u00e1gico&#8221;.\n<\/p>\n<p>A charada foi desvendada. Vendido no camel\u00f3dromo <strong>Luladepel\u00facia<\/strong> corre o risco de se transformar em boneco de vodu, personagem do despacho na encruzilhada, coberto de alfinetes, sem cabe\u00e7a, malhado como Judas na Sexta Feira Santa. Hoje o personagem est\u00e1 a salvo, abrigado na galeria, mas ainda nos assombra v\u00ea-los aut\u00f4matos, clonados, desorientados com express\u00f5es estranhas de Chucks. Retrato de nau a deriva, afinal \u201cmorre o homem, fica a fama\u201d, diz a can\u00e7\u00e3o. Melhor, fica a arte, diria Raul Mour\u00e3o com seu ex\u00e9rcito de lulasdepel\u00facia. Um souvenir do nosso tempo. A esperan\u00e7a \u00e9 a \u00faltima que morre, o esperan\u00e7oso morre antes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Paulo Reis Rio de Janeiro, outubro de 2005 Brasil \u00e9 um pa\u00eds onde o Surrealismo n\u00e3o fez escola. O Brasil \u00e9 um pa\u00eds por demais surrealista, onde o real sempre suplantou a fantasia, para que o sonho e o automatismo pudessem ditar normas. 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