{"id":2602,"date":"2018-09-06T17:26:26","date_gmt":"2018-09-06T17:26:26","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/?p=2602"},"modified":"2018-09-06T17:26:38","modified_gmt":"2018-09-06T17:26:38","slug":"2602-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archive.raulmourao.com\/portfolio\/2602-2\/","title":{"rendered":"drama.doc &#8211; 2004"},"content":{"rendered":"<h4>por Guilherme Bueno<br \/>\nJunho de 2004<\/h4>\n<p>Raul Mour\u00e3o, artista convidado para a segunda edi\u00e7\u00e3o dos <em>Projetos Especiais<\/em> do Museu de Arte Contempor\u00e2nea de Niter\u00f3i, apresenta a exposi\u00e7\u00e3o <em>Drama.doc<\/em>, uma s\u00e9rie de fotografias de detalhes arquitet\u00f4nicos, e um conjunto de esculturas realizadas com grades de ferro, similares \u00e0quelas de seguran\u00e7a instaladas em edif\u00edcios. Ao eleger essas coordenadas como protagonistas de sua investiga\u00e7\u00e3o, o artista discute o objeto art\u00edstico, seja em sua concep\u00e7\u00e3o fundadora, ou na natureza de sua intencionalidade como propositor de um discurso.<\/p>\n<p>Pensadas reciprocamente, entre as fotos e as esculturas infiltram-se diversos estratos da hist\u00f3ria da arte em sua problematiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o. O documento fotogr\u00e1fico \u00e9 submetido a um processo de manipula\u00e7\u00e3o, no qual ru\u00eddos f\u00edsicos e digitais criam uma nova imagem em descompasso com seu suposto referencial. Paradoxalmente, \u00e9 essa foto <em>mundana<\/em>, essa <em>imagem com cicatrizes<\/em>, que ser\u00e1 o ponto de partida para as esculturas, ao contr\u00e1rio do que em geral se poderia esperar da rela\u00e7\u00e3o entre \u201coriginal\u201d e \u201cc\u00f3pia\u201d. O <em>ru\u00eddo<\/em> das fotos desloca-se para o espa\u00e7o, implanta-se nele por meio das estruturas gradeadas das esculturas. Estabelece-se com isso um jogo duplo: a grade instiga e tenta, ao permitir que seja atravessada pelo olhar, oferecendo a este o que est\u00e1 al\u00e9m da superf\u00edcie. Mas ela ao mesmo tempo e em igual intensidade o det\u00e9m, mostra-o penosamente fadado a lutar contra a aceita\u00e7\u00e3o de uma conting\u00eancia de seus limites.<\/p>\n<p>Tomada a visualidade como ato afirmativo, o que se coloca, de certo modo, \u00e9 um desafio <em>hist\u00f3rico<\/em>. Pois se a grade constitu\u00eda o instrumento renascentista de vislumbre de uma ordem c\u00f3smica ( a perspectiva ) ou, no caso de um artista moderno como Mondrian, a express\u00e3o depurada rumo \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o do sujeito no mundo atrav\u00e9s do olhar, aqui ela parece fazer retornar essa ansiedade em contram\u00e3o: n\u00e3o \u00e9 mais o objeto de atravessamento em dire\u00e7\u00e3o a conte\u00fados puros, e sim a materialidade efetiva daquilo que nos cerca. Ela n\u00e3o deixa de evidenciar nem procura ocultar ser a mesma grade que envolve nossos edif\u00edcios, fazendo-nos crer protegidos da exist\u00eancia. Curiosamente essa \u201cbarreira provocativa\u201d, esse objeto de perplexidade coloca o desafio de se absorverem as coisas sem temer sua complexidade, suas contradi\u00e7\u00f5es e \u2013 por que n\u00e3o? \u2013 a possibilidade de estas oferecerem novas perspectivas po\u00e9ticas, um outro reencantamento amoral do mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Guilherme Bueno Junho de 2004 Raul Mour\u00e3o, artista convidado para a segunda edi\u00e7\u00e3o dos Projetos Especiais do Museu de Arte Contempor\u00e2nea de Niter\u00f3i, apresenta a exposi\u00e7\u00e3o Drama.doc, uma s\u00e9rie de fotografias de detalhes arquitet\u00f4nicos, e um conjunto de esculturas realizadas com grades de ferro, similares \u00e0quelas de seguran\u00e7a instaladas em edif\u00edcios. 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