Ninguém sabia – 2005

por Andre Eppinghaus
Carioca, tricolor, empreendedor criativo.
Rio de Janeiro, outubro de 2005

Este trabalho foi apresentado a mim por Raul Mourão em julho deste ano. Naquele agradável almoço em Ipanema, eu me tornara mais um dos privilegiados a saber. Se poucos sabiam, muitos vão concordar: luladepelúcia é uma obra visionária. Começou como piada na semana seguinte a da posse do Presidente e quase três anos depois tem potencial para ser a melhor síntese artística da ressaca ética e moral que o país atravessa atualmente, que transformou a TV Câmara num fenômeno de audiência, e conseguiu elevar o neto do Coronel e o filho do Prefeito a expoentes da honestidade. Prefiro usar a palavra ressaca pois sabemos que a crise não é de hoje. Assim como a corrupção não é um mal exclusivo do Brasil, tampouco está restrita à esfera pública. Corrupção é como câncer, aids ou gripe: uma doença que a humanidade criou e com a qual as sociedades se acostumaram a conviver. Luladepelúcia não ataca só os sintomas, mas faz pensar sobre a causa. Existe política sem politicagem? Existe poder sem negociata? Existe mentira sem mentiroso? Existe corrupto sem corruptor? Existe eleição sem um bom argumento publicitário?

A esperança venceu o medo e eu estou cada vez mais convencido da minha inocência. Juro que não sabia. Raul não sabia. O Zé não sabia, Inácio não sabia, nem a Maria. Estamos todos perplexos, carentes, desgovernados. Brasil 0, Caixa 2. Quem não tiver pecado que atire a primeira pedra. Mas cuidado que o boneco é de pelúcia e o telhado é de vidro. Ou você não sabia?