O Lula não é de verdade, o Lula é de pelúcia – 2005

por Fausto Fawcett
Rio de Janeiro, Outubro de 2005

Todos sabem que o Brasil é um abismo que nunca chega. Um paiol de crises e vertigens calcadas em escravidões, colonialismos, plutocracias patrimonialistas, enfim, núcleos de excelências cercados por forças do atraso burocrático, ou da incompetência mais escancarada e cara de pau. Somos como a região da Trácia no império romano, região distante e equivocada quanto a sua importância, ou seja, nenhuma. Paradoxalmente, contrariando Nelson Rodrigues, é da nossa viralatice que devemos ter orgulho, da nossa força periférica de bárbaros do terceiro, quarto e quinto mundo.

Repito, o Brasil é um abismo que nunca chega. Agora que a sombra de Mad Max paira sobre o mundo espetando nossas consciências com imagens de ruínas futuristas, agora que as desintegrações sociais e as catastrofes naturais estão cada vez mais agudas é certo que uma baderna de máfias vai finalmente se mostrar mais poderosa do que todos os estados liberais, sociais-democratas ou blá-blá-blás de organizações sociais variadas.

Nesse contexto, junto com todas as Chinas, Indias, Médios Orientes, Méxicos, Croácias, Patagônias e o cacete a quatro, o Brasil servirá de esconderijo varonil e entreposto para todas as ciências, dinheiros, gente e tecnologias abençoadas pelo tráfico absolutista e mundial. Vivemos na era do absolutismo traficante de tudo e de todos.

A sombra de Mad Max paira sobre o planeta. Ruinas futuristas e uma puta baderna de máfias concentradas vão apunhalar nossa mente com as perguntas: Quem manda em quem? Quem é dono do que? Tú vive patrocinado por quem? Tú não se clonou ainda não mané? Vai no chaveiro da esquina que ele faz isso rapidinho. Ele tem a chave da cadeia genética.

O Brasil é um abismo que nunca chega e tem uma bárbara força periférica, mas o sentimento fofo de carolice socialista advindo de uma herança cristã (e que de certo modo guiou toda modernidadezinha, todos os ismos, iluminismo, positivismo, comunismo, nazismo) acabou levando de roldão as consciências esfarrapadas do tal gigante deitado em berço esplêndido. Daí que um país fascinado por realezas de todo tipo (musicais, infantis) tinha que gerar na política a figura sebastianista de um Salvador da pátria vindo das camadas mais fudidas. Perfeito. O sonho cristão do pobre cheio de calvários que chega ao paraíso do máximo reconhecimento social. Tudo bem se isso não fosse sinônimo de uma grande farsa engendrada nos estertores da ditadura e movida a recalque brabo. Me lembro que na PUC (desculpem mas não resisto a essa lembrança pessoal que ilustra bem o sentimento petista) todas as turminhas de diretório eram enganadoras, preguiçosas e imbuídas de um reacionarismo bem cafajeste protegidos pela blindagem da propaganda comunista anti tudo que fosse democrático. E tome Mao, Lenin, Trotski, Stalin, Fidel e outros pop stars da carnificina que iguala todos. Até Pol Pot valia, contanto que todos fossem iguais na pobreza, na obtusidade e na palermice mental socialista.

Num primeiro momento o PT foi até interessante como organização trabalhista que com a ajuda de judiciários, legislativos e outras entidades atuou como regulador do estado, mas tudo o que eu disse nos parágrafos anteriores foi devorando essa nobre função reguladora das tais injustiças sociais. A saber: a santificação da sua existência via promessas de salvação dos pobres e oprimidos aliadas a um trabalho de satanização burra dos últimos governos brasileiros, de todo comércio mundial, de toda globalização, dos Estados Unidos e etc e tal. É preciso lembrar sempre mano (seja ele Brown ou Chao) que o mundo é um fetiche Americano. O outro fator que corroeu a nobre função reguladora foi justamente a tal cafajestada de diretório aliada com uma tremenda incompetência e um arqueológico recalque que provocou a sanha de tomar conta de todo o estado, varrer do mapa quem não era da turma e ao mesmo tempo comprar todas as turmas.

Lula é a própria encarnação disso tudo. De vibrante orador em pátio-Volkswagen, aposentado há um tempão, ele passou a político mediocre, uma nulidade como deputado, sempre escorado no tal sonho de salvação nacional entranhado nos corações cheios de pelúcia sentimentalóide do povo brasileiro. Acontece que a bocada do PT foi estourada por sucessivos escândalos que geraram uma inédita Tsunami de revelações e desvelamentos da putaria mafiosa que rege o país. Lula é a encarnação da fofura sentimentalóide e da pelúcia pestalozi que assombrou o país via PT durante anos. Agora meu chapa, você, habitante do abismo que nunca chega, não tenha medo, assuma o seu pânico, assuma sua força periférica de bárbaro do quinto mundo e bola pra frente por que ninguém sabe o que vai acontecer com esse continente. Segura o teu apocalipse interior por que ele vai fazer falta daqui a pouco. Esqueça essa história de PT por que ele vai acabar. Esse tipo de partido vai acabar. Muita coisa vai acabar. E principalmente esqueça o Lula. Porque o antro dele já foi invadido e arrasado. Estamos livres dessa papagaiada que nos atormentou durante 20 e tantos anos. Ganhou a presidência para dizer a que não veio. Esqueçam o Lula por que ele não é de verdade, ele é de pelúcia. Tenho dito.